quarta-feira, 31 de março de 2010

História da Arte no RN

O referido texto é uma tentativa de alavancar a sistematização da história das artes no RN para fins acadêmicos. Segundo o professor Vicente Vitoriano, não existe uma história da arte no RN. Discordo dessa afirmativa do professor Vicente. Essa história da arte existe sim. Só que não está devidamente compilada, tecnicamente organizada, necessitando, portanto, de um trabalho minucioso de garimpagem de documentos e obras que trate do tema. O Grupo de Pesquisa em Cultura Visual - Matizes vem dando importante contribuição neste trabalho de bricolagem da história da arte no nosso estado. Um exemplo da existência dessa história, é que, recentemente, ao apresentarmos um seminário sobre arte rupestre no RN, descobrimos a obra do Sr. José de Azevedo Dantas, precursor das pesquisas sobre arte rupestre no RN, que inclusive consta na bibliografia do professor Vitoriano. Ao pesquisar a história da xilogravura no nordeste encontrei a tese de mestrado do Cid Augusto da Escóssia, que trata do Sr. João da Escóssia, primeiro xilógrafo do Rio Grande do Norte. Esses exemplos, aliados ao trabalho do Matizes mostra que a história existe, faltando apenas ser escrita. Quem nunca ouviu falar do GRUPEHQ (inclusive estou doando à base de pesquisa do Matizes, um exemplar da revista Bruhaha onde consta uma entrevista com o pessoal dos quadrinhos)? Com certeza, esse grupo faz parte da história da arte potiguar, apesar de alguns acharem que HQ não é arte.
Acho que a iniciativa de se discutir a questão da história da arte no RN, a partir do estudo de exposições como o Salão de Artes Visuais da Cidade do Natal é de extrema importância, já que ali está representada a arte do estado na sua contemporaneidade. A importância que a fotografia vem obtendo nos últimos salões, outro fator destacado no texto do professor é um fato. Essa importância talvez tenha a ver, entre outros motivos, com a facilidade de utilização de meios tecnológicos como a s câmeras digitais e softwares gráficos como o Photoshop que é uma ferramenta poderosíssima na obtenção de efeitos artísticos em fotografias.
Sobre a contribuição de documentos impressos ou fotografias, tenho um grande acervo de fotografias dos murais existentes na cidade do Natal, de autores diversos, fruto de um trabalho de pesquisa da disciplina História da Arte I, ministrada pelo Professor Doutor Vicente Vitoriano. Tenho ainda o livro de Newton Navarro, “Futuebol” (uma das paixões do mestre), publicado pela Editora Universitária. Além disso, indico como fonte de estudos a tese de mestrado de Cid Augusto da Escóssia Rosado “A xilogravura como ilustração do texto jornalístico: uma análise do trabalho de João da Escóssia Nogueira no jornal “O Mossoroense”, de 1902 a 1906”, Existente na Biblioteca Central Zila Mamede. Entre outros documentos segue uma lista de títulos publicados pela Editora da UFRN, que contribuirá para este esforço do resgate da história da Arte no Rio Grande do Norte. Alguns dos livros encontram-se esgotados no catálogo da Editora Universitária, mas podem ser encontrados na Biblioteca Central Zila Mamede.

sábado, 13 de março de 2010

PALAVRA PINTADA - UMA EXPOSIÇÃO DE VICENTE VITORIANO

Venha para a abertura da exposição Palavra Pintada, de Vicente Vitoriano.
Dia 18 de março, às 19 horas, na Galeria Conviv'art - NAC. 
Campus Central da UFRN

sábado, 13 de fevereiro de 2010

...porque o consumo exacerbado nos consome

A propaganda em favor do consumo a todo custo acaba por hipnotizar muita gente, principalmente as crianças, que são a garantia de manutenção do sistema consumista.
Colo aqui, então, um texto de Frei Betto, recebido por e-mail, e que vem bem a propósito dessa questão:
"PASSEIO SOCRÁTICO
Frei Betto
Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelo produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'. 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento'. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, ­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz."

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Regulamentação da medicina... Preste atenção!

A Agência Senado está promovendo uma enquete, através do seu site, sobre a
regulamentação da medicina
, que foi aprovado em outubro pela
Câmara dos Deputados, e, agora, aguarda a avaliação dos senadores.

A pergunta "você é a favor ou contra a
regulamentação do exercício da medicina nos termos do projeto PLS 268/02?
"
ficará no ar até o fim de dezembro e pode ser acessada na página principal
da Agência.

Em mensagem anterior já foi explicado o que representa a referida regulamentação.

Se você for contra ela, acesse o site do senado e em “Agência Multimidia” no lado direito da página, e deixe seu voto.


http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0.

Pra quem não sabe ou não lembra, em linhas gerais e simplificadas, a intenção desse "projeto" é que NADA que diga respeito à saúde possa ser feito sem a "autorização" de um médico. Sessão de fisioterapia, tratamento psicológico, etc, tudo vai depender de um médico pedir, emitir guia ou autorizar o tratamento. Só que sabemos que cada especialização exige um conhecimento específico, então dá pra pensar no desdobramento disso aí...


Enviem para outras listas de discussão por favor!

Coloquem em seus blogs e no Twiter.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

PROFESSOR DA USP FALA DO ORKUT

O ORKUT apareceu como uma forma de contatar amigos, saber notícias de quem está distante e mandar recados. Hoje está sendo utilizado com o propósito de, creio ser o seu maior trunfo, obter informações sobre uma classe privilegiada da população brasileira.
Por que será que só no Brasil teve a repercussão que teve?

Outras culturas hesitam em participar sua vida e dados de intimidade, de forma tão irresponsável e leviana.. Por acaso você já recebeu um telefonema que informava que seus filhos estavam sendo seqüestrados?
Sua mãe idosa já foi seguida por uma quadrilha de malandros ?
Já te abordaram num barzinho, dizendo que te conheciam faz tempo?
Já foi a festas armadas para reencontrar os amigos de 30 anos atrás e não viu ninguém?

Pois é.. Ta tudo lá.
No ORKUT.

Com cinco minutos de navegação
eu sei que quantos filhos você tem, ou se não tem,
se tem namorado/a ,
sei que estuda no colégio tal, ou que trabalha em tal lugar,
sei que freqüenta tais cinemas, tais bares, tais festas ....
sei nome de familiares, sei nome de amigos;
sei sei sei !

E o melhor de tudo, com uma foto na mão!
Identifico seu rosto em meio a multidões, na porta do seu trabalho, no meio da rua.
Afinal, já sei onde você está.
É só ler os seus recadinhos.

Faço um pedido:

Quem quiser se expor assim, faça-o de forma consciente e depois não lamente, nem se desespere, caso seja vítima de uma armação.

Mas poupe seus filhos, poupe sua vida Íntima.

O bandido te ligou pra te extorquir dinheiro também porque você deixou..

A foto dos meninos estava lá.. Teu local de trabalho tava lá.

A foto do hotel 5 estrelas na praia tava lá.

A foto da moto que está na garagem estava lá.

Realmente somos um povo muito inocente e deslumbrado.

Por enquanto, temos ouvido falar de ameaças a crianças e idosos.

Até que um dia a ameaça será fato real. Tarde demais.

Se você me entendeu, ótimo!

Reveja sua participação no ORKUT, ou ao menos suprima as fotos e imagens de seus filhos menores e parentes que não merecem passar por situações de risco que você os coloca.

Oriente seus filhos a esse respeito ,pois colocam dados deles e da família sem pensar em consequências, fazem isso pelo desejo de participar, mas não sabem ou não pensam no perigo de se dar dados pessoais e da família para que qalquer pessoa veja.

Se acha que não tenho razão, deve se achar invulnerável.

Informo que pessoas muito próximas a mim e queridas já passaram por dramas gratuitos, sem perceber que tinham sido vítimas da própria imprudência.

A falta de malícia para a vida nos induz a correr riscos desnecessários. .
Não só de Orkut vive a maioria dos internautas.

Temos uma infinidade de portas abertas e que por um descuido colocamos uma informação que pode nos prejudicar.

Disponibilizar informações a nosso respeito pode se tornar perigoso ou desagradável.

Portanto, cuidado ao colocar certas informações na Internet.
Não conhecemos a pessoa ou as pessoas que estão do outro lado da rede.
O papo pode ser muito bom, legal.

PS:
Passe a todos que você conhece e que utiliza o Orkut, 1Grau, Gazzag, NetQI, Blogs, Flogs, etc..... para que todos tenhamos consciência sobre o assunto e possamos colaborar com a diminuição do crime.

Um abraço,
Marco André Vizzortti
Professor de Informática da USP

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

BOA PEDIDA

O Núcleo de Artes Visuais da Fundação Cultural Capitania das Artes tem o prazer de convidá-lo(a) a participar do FALA SÉRIO, cujo palestrante será o artista plástico Vatenor. O evento acontecerá no dia 10/11/09, às 10:00h, no Auditório da FUNCARTE.

Cordialmente,

Sanzia Pinheiro Barbosa
Chefe do Núcleo de Artes Visuais da FUNCARTE
Endereço: Av. Câmara Cascudo, 434 - Centro - CEP 59025-280 - Natal-RN.
Tel: 3232-4599

sábado, 7 de novembro de 2009

CÁ “ENTRE NÓS”

Francisco Alves da Costa Sobrinho

Quem assistiu sabe que não é dança o que viu, pois trata-se de uma obra que não se reduz a uma evidencia meramente racionalista. Portanto, o espetáculo, de dança buscando a vida, dança e circunstância, dança e indagação, cumpre a função de trazer ao público uma estética distinta, ao relevar a natureza e a finitude do homem. A dança (arte) como testemunha e caminho de autoconhecimento, sem a preocupação de revelar ou incorporar conceitos. Neste ato de (des)dançar notam-se (percebem-se?) transformações e demolições que ocorrem nos espaços, fissurando-os, rompendo-os. É um espetáculo visceral, incomodante, de atrevida plasticidade, mesmo assim feito com desenvoltura, desinibição, fluidez, vibrações, beleza plástica.

“Entre nós”, assume, também, o conflito entre a palavra, as formas de expressá-la e a voz. Assim sendo, tenta fazer falar o dançarino, cuja mudez atávica atravessa o tempo. Coloca timbres de vozes nas gargantas e nos corpos dançantes, a palavra gutural, retorcida, aprisionada, por vezes onomatopeica, dando-lhes expressão vocal, buscando uma outra voz, conflitante, feita de pulsações e respirações. Não há a quarta parede, aquela dimensão estranha que nada significa além da forma, mas percebem-se (percebe-se?) paisagens interiores cheias de segredos – revelações. Talvez o fruto/resultado de uma estranha cumplicidade entre eles, os fazedores do espetáculo, e nós, de cá, os ofegantes, herdantes extasiados.

Feito de muita prática, exercicios bioenergéticos e do-ação, este é um espetáculo de arte a favor da amorosidade, da expressão pela afirmação do afeto, busca de amor e completude, (des)construção que consegue sintetizar formas, juntar visão e coração, num amontoado de discussões, questionamentos, lembranças, onde ninguém ilumina a cena para dirimir o conflito que não se resolve porque restam muitas duvidas.

CENA ABERTA:

Espetáculo (Dança): ENTRE NÓS

Grupo de Dança do Espaço Vivo